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Prêmio Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos da Shan Editores.
"No dia seguinte, na praia, Lia viu Raul andando na areia com um amigo. Pega de surpresa, chamou Rô para olhar e quase explodiu de alegria. Contou que ele não havia dito para onde iria no Carnaval e que ela esquecera também de dizer. Seria uma outra coincidência? Lia estava certa de que sim. Mudara de idéia quanto a não acreditar mais no destino. Começou a fazer planos, iria tomar coragem para falar com ele. Afinal, esta era sua segunda chance. A amiga dava-lhe forças. Planejaram segui-lo discretamente, até surgir uma oportunidade para uma abordagem."
Prêmio Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos da Shan Editores.
"Vestiu a roupa alugada na véspera, certificou-se do endereço e desceu para pegar um táxi. Na Marginal do Tietê, um longo congestionamento o deixou preocupado. O motorista permanecia calado, mas de vez em quando soltava um palavrão.
Quarenta minutos depois, haviam conseguido atravessar a Marginal. Com o calor, sua camisa branca ficara manchada de suor, deixando-o ainda mais irritado. Olhava para o relógio insistentemente. Faltavam vinte minutos para o começo do programa.
Não posso me atrasar! Hoje é meu grande dia! Todo mundo vai me ver na televisão."
"Sempre que Roberto chegava do trabalho, Júlia aproveitava o momento em que ele ia tomar banho para revirar suas roupas à procura de algo. Nunca encontrava nada além de extratos bancários e notas fiscais. Tudo devidamente conferido. Não havia compra que não fosse investigada. Certo dia, encontrou um pedaço de papel com o nome de Purina e um número de telefone. Imediatamente, sentiu um nó no estômago. Finalmente encontrara algo suspeito. Um nome feminino e um número de telefone. Enquanto o marido terminava o banho, discou o número anotado no pedaço de papel. Uma voz feminina atendeu."
"Carina, com seu tamanho de menina, passou despercebida pelos adultos. Entrara no barraco em chamas e não saíra mais. Depois de apagado o fogo, com a providencial vinda dos bombeiros, seu José deu por falta da filha. Ele não a encontrara em lugar algum. Procurara por toda a vizinhança, sem sucesso. Ninguém a tinha visto. De repente, uma dor profunda no peito o fez sentar-se no chão. Ele sabia que dor era aquela. Não era uma dor física, que se cura com analgésicos. Era a dor da perda. Alguns vizinhos vieram lhe consolar, afinal nenhum corpo havia sido encontrado. Mas ele se lembrava da cadela presa no interior do barraco e da menina correndo pelas ruas. Ela havia escutado o latido e foi salvá-la."
Prêmio de Edição no Concurso Todas as Formas de Amar da Litteris Editora.
"Aquele dia não havia sido diferente. Voltaram do serviço às onze horas da noite e, cansados, foram dormir. Naquela noite, Edu teve um sonho que o deixou ao mesmo tempo intrigado e com sentimento de culpa. Sonhara com outra mulher. Uma senhora, talvez uns 50 anos. Possuía um rosto familiar. Ela o abraçava e o beijava em um clima de muita intimidade."
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